domingo, 24 de junho de 2007

Bate-papo com Carlos Alexandre Monteiro

Depois de três posts recomendando eventos culturais na UFRJ, este é diferente. A idéia surgiu por acaso: por que não entrevistar um ex-aluno da ECO que está no mercado? Daí chegamos a Carlos Alexandre Monteiro: repórter do Séries Etc, site com cerca de 150 mil visitantes por dia. Também é famoso entre cerca de 4 mil pessoas que visitam diariamente seu blog Lost in Lost dedicado ao seriado Lost. CA, como é conhecido, fala de suas experiências no mercado e dá conselhos valiosos a quem pretende trabalhar com jornalismo digital.

Fale do seu histórico profissional. Onde você começou?

Eu me formei em 98, fiz o 1º estágio no último período da faculdade, na TV Globo. Passei no programa Estagiar e trabalhei com esportes. Terminei em agosto. Depois fui chamado para cobrir esportes na TV Globo. Um ex-chefe da Globo, em 99, queria cobrir o Pan-Americano de Winnipeg. Fui chamado para ser repórter do COB em Winnipeg. Voltando do Canadá, fui pra Globo de novo. Fiz contrato fixo de 1 ano pro Núcleo Olímpico, cobrindo as Olimpíadas de Sydney no Brasil. Depois dei um tempo pra outra carreira, trabalhando com música até 2005.

No começo de 2005 voltei pro mercado, trabalhei na produção do programa Supersurf feito pela produtora do meu ex-chefe. Fiquei um ano viajando, cobrindo campeonatos, etc. Depois da temporada de campeonatos, entrei de férias e o SporTV não renovou com a produtora. Mandei currículo pra Globo, visando a área de esportes. Quando fiz a entrevista, o editor-executivo do Globo Esporte disse: “Queria ver sua escrita, sacar seu estilo”. Então eu disse: “Olha, minha escola é de telejornal, não tenho muita coisa publicada”. Na época eu fazia a coluna “Diário da Escotilha” no Dude, We Are Lost [blog sobre o seriado Lost], que surgiu da comunidade Lost Brasil no Orkut. No mesmo dia, recebi o telefonema da Claudia Croitor, amiga do Luiz Henrique Romanholli. Eu ia fazer ‘frila’ na Copa do Mundo [de 2006], mas aconteceu que a Claudia tinha a vaga em aberto pro Séries Etc. Como já tinha trabalhado com esporte, sei a pauleira que é uma cobertura desse tipo. Então fiz a entrevista com ela, disse meu primeiro alvo seria o Séries Etc. por ser um assunto que eu gosto e mais leve que o esporte. Acabei contratado.

Então você não chegou a trabalhar com mídia impressa?

Nessa época de Winnipeg eu fiz textos de assessoria para o COB. E era comum ver as matérias copiadas por outros repórteres sem dar crédito...

No período de telejornalismo, você trabalhava em frente às câmeras?

Não, fazia produção e redação de texto. No máximo, gravei offs. Não fotografo muito bem. (risos)

Como é um dia de trabalho seu?

Chego às duas da tarde e tento correr atrás do que a Claudia pediu. Correr atrás das notícias nos sites internacionais, elaborar pautas, fazer as matérias. Bolar listas, galerias de sites, enquetes. Tudo aquilo que você vê no site [Séries Etc] é feito por quatro pessoas, Claudia, Flávia, eu, e a estagiária. Quatro pessoas correndo atrás de notícias.

O site tem um olhar brasileiro pras séries, e isso é interessante.

Sim, buscamos intreseções que nos tornem mais próximos das séries. Quando acontece um fato como a entrada do Rodirgo Santoro em Lost, do Bruno Campos em Nip/Tuck ou as filmagens de CSI Miami no Rio, nós ficamos felizes por fazer coisas diferentes, sempre buscando as notícias de interesse para o nosso público. Falamos das séries e episódios que passam aqui, mas não ficamos alheios ao que acontece no mundo. Por exemplo, séries mega-baixadas como Heroes e Lost, nós não podemos deixar de dar. Estamos atentos à realidade dos downloads, mas tendo o cuidado para não estragar a surpresa de ninguém.

Teve aquela polêmica com a morte do personagem do Santoro em Lost...

Sim, mas foi o que a Claudia disse na época: era um fato de interesse mesmo pra quem não via a série. Além disso, o próprio Rodrigo Santoro contou que seu personagem ia morrer na entrevista à revista Rolling Stone Brasil. E o conteúdo dessa entrevista vazou pra web antes mesmo de ser publicada.

Vocês tem reunião de pauta formal? Uma vez por semana?

Estamos tentando implementar isso, até pra poder planejar melhor as coisas do fim de semana. Nem sempre tem alguém no plantão do Séries Etc. no fim de semana. Nesse período de plantão aos sábados e domingos, ficamos responsáveis pela home de Entretenimento, do Globo.com, que tem link pro Ego, sites de vídeos, novelas. Durante a semana a dedicação é exclusiva ao Séries etc.

As pessoas acham que por ser um tema leve, é fácil de fazer.

Nada! É uma ralação. Não é glamourizado, não vamos toda hora pra Los Angeles. O texto pro Séries Etc. não é fácil de escrever, são muitas informações, tem que apurar, saber o que vai virar matéria, escolher fotos pras galerias, listas, criar as enquetes.

Não acontece o favoritismo de pautar as séries preferidas dos editores/redatores?

Não. A Claudia adora Veronica Mars, mas sabe que é uma série de pouco alcance aqui no Brasil, passa sábado à tarde! Eu adoro What About Brian, mas quase ninguém vê. Por sorte, algumas séries que eu, a Claudia e a Flávia gostamos estão entre as mais vistas pelo público, como Lost, E.R., Heroes, 24 Horas e Grey’s Anatomy.

E para falar das séries que você não gosta ou não conhece?

Aí eu peço socorro a outras pessoas da área, colegas do Globo.com perguntando, por exemplo, quem vê One Tree Hill? Quem é o personagem tal? Tudo isso pra fazer uma matéria melhor e expandir nosso olhar, não ficar só nas séries que a gente gosta. Sem contar que é impossível acompanhar todas as séries no ar atualmente.

Já aconteceu de matérias de vocês aparecem em outros lugares sem crédito?

Já, e não temos como controlar, se a gente for perder tempo procurando isso... Mas a Claudia já encontrou e acionou o Departamento Jurídico da Globo.com, os nossos superiores.

Conte da sua vivência na ECO. Como o que você aprendeu lá te ajudou no mercado?

O interessante da ECO são as discussões teóricas. Não sei como está agora, mas na minha época era muito precário em termos de matérias práticas, a gente tinha que revelar as fotos em laboratório particular.

Continua a mesma coisa...

Pois é. Por isso, o interessante da escola é despertar o interesse pra questões éticas e teóricas, é mais um centro de formação de comunicólogos, porque o jornalismo se aprende no dia-a-dia, na pauleira. A faculdade é necessária porque faz as pessoas pensarem em certos aspectos. Comparo a uma auto-escola, que você faz pra pegar a habilitação, a carteirinha do Detran. Mas dirigir na rua é outra situação. Você está sozinho, tem que se virar e aprender. Na ECO eu fiz Jornal Laboratório, fiz fanzine, trabalhei em rádio universitária. Mas só no dia-a-dia você vê a pauleira, é responsável pelos seus textos, sofre as conseqüências se algo errado for pro ar.

Quais são, de acordo com sua opinião e a sua vivência, as diferenças entre escrever para TV e pra web?

O grande diferencial da TV – e isso é até meio óbvio – está no que você vê. É um texto que não existe sem a imagem. E o texto de web é interessante, particularmente no Séries Etc., porque te dá uma liberdade muito grande de brincar com a linguagem. Tem um coloquialismo, é mais informal. Tem também a necessidade de fazer textos curtos, objetivos, atraentes e inserir tudo no contexto de hipertexto. Isso eu aprendi na prática: se tá falando de uma matéria, tem que ter link pro texto do dia anterior. Por exemplo: “Lembra quando falamos do cancelamento da série tal? Os produtores repensaram...”

Como é trabalhar com o aspecto multimídia da web?

É necessário demais usar a multimídia. Trabalhar só com texto na web não dá. Em um meio que tem tantos outros caminhos, é tiro no pé. Estamos falando de Web 2.0, Fotolog, comentários do leitor, as possibilidades são tão evidentes.... É muito legal trabalhar com isso, bem diferente do que eu fazia no telejornalismo.

Como é fazer jornalismo cultural nesse meio novo, que é a web?

Não é muito diferente. O assunto com que trabalhamos [séries de TV] é mais leve, abre mais possibilidades. Ninguém vê painel de fotos sobre a bolsa de valores. Trabalhar com um assunto lúdico num meio que dá várias possibilidades de aproveitamento é estar com a faca e o queijo na mão, dá um casamento bacana.

Algum conselho que você daria aos futuros jornalistas interessados em trabalhar com webjornalismo?

Naveguem muito! Fiquem atentos às novidades da Internet, como Fotolog, Flickr... Não pode ter preconceito do tipo “Eu não faço fotolog”. Tem que se inteirar sobre o que significa, saber o que é aquilo. E não deixe de ler nunca. O que tem de gente que não sabe usar o vocabulário na nossa área... Adquira cultura, esse é um conselho que dou pra qualquer pessoa. Conhecer de música do Pixinguinha até o Chemical Brothers. Ver filmes do Tarantino, Truffaut e Ivan Cardoso. A Internet se baseia nessas referências do universo pop. Também é preciso ter agilidade, adestrar sua mente para aprender a olhar hipertextualmente, criar os links. Tudo isso num nível de usuário, mas com interesse além do usuário comum.

Por Patrícia Azeredo e Mônica Reis
Foto: Arquivo pessoal do CA

domingo, 17 de junho de 2007

Semana de Quadrinhos: discussão de gente grande


Se você pensa que quadrinhos é coisa de criança, melhor rever seus conceitos. Dos nacionais Turma da Mônica e Radical Chic, passando por Sandman até as obras das famosas editoras Marvel e DC Comics, a arte sequencial tem ganhado espaço cada vez maior entre o público adulto.


Pois agora leitores ecoínos que desde a infância acompanham as aventuras dos grandes heróis, lêem as charges dos jornais e não conseguem passar indiferentes por nomes como Gaiman, Miller e Moore podem ficar contentes. A II Semana de Quadrinhos acontece nos dias 18, 19 e 20 de junho, a partir das 14h, na ECO e é mais uma oportunidade para os interessados no assunto debaterem as questões que rondam o universo de HQs. Estarão em pauta a discussão do mercado editorial e o uso dos quadrinhos como instrumento político e, dentre os palestrantes, nomes como Chico Caruso e Jaguar tornam o evento imperdível.


Porém, as atividades não ficam apenas na teoria. Para repetir o sucesso da primeira edição, em 2006, a organização do evento aposta no talento dos alunos, com a realização de oficinas, mostra de animações e concurso de tirinhas. Além disso, a Semana de Quadrinhos também vai oferecer espaço gratuito para editoras que tenham publicações relacionadas ao tema, facilitando o acesso dos visitantes à estudos sobre esse tipo de arte.


Realização do Programa de Educação Tutorial (PET/ECO) com apoio da FUJB e do Programa de Pós-Graduação da ECO, a Semana de Quadrinhos ganha importância quando se percebe a pouca discussão em torno da arte sequencial. Infelizmente, isso se dá ao mesmo tempo em que ela se desenvolve atrelada à novas tecnologias. Afinal, casos como o do Charges.com e de filmes-adaptação como V de Vingança, 300 e Sin City mostram que os quadrinhos estão cada vez mais interligados com outras mídias, como cinema e computação.




Acha que esse debate rende? Não vai perder nenhum dia da Semana de Quadrinhos? Então confira tudo o que vai acontecer no evento clicando no link "Programação" do site do evento.

Quer saber mais sobre quadrinhos? Acesse o blog Gibizada, do Télio Navega (participante da I Semana de Quadrinhos) ou leia Desvendando os Quadrinhos e Reinventando os Quadrinhos, de Scott McCloud, e Quadrinhos e Arte Sequencial, do mestre Will Eisner.



Por Patrícia Azeredo e Mônica Reis

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Cinerama: veja cinema, pense cinema


Quem nunca viu, perdido entre avisos e propostas de estágio, um cartaz do Cinerama no mural do corredor? E que tal assistir um especial com o aclamado cineasta Domingos Oliveira no conforto do auditório da CPM? Nessa quarta, dia 13 de junho, às 18h, o Cinerama, em parceria com o Grupo Estação, vai exibir o filme Edu, Coração de Ouro, seguido de debate com o também diretor de Feminices (2004) e Separações (2002).
Mas nem só de eventos especiais vive o cinerama. Toda quarta-feira, às 18h30, no auditório da CPM, esse cineclube cumpre seu objetivo: projetar filmes de pouco – ou nenhum – apelo comercial, dando espaço para diretores iniciantes e abrindo o debate sobre cinema fora do grande circuito. Tarefa nada fácil diante da avalanche semanal de estréias hollywoodianas.
A ousadia de encarar o cinema comercial não impediu o projeto de passar por percalços. Fundado em 2001, o projeto chegou a ser interrompido, mas retomado em 2005 pelos calouros da turma 2004/1, com ajuda da veterana Maria Flor Brazil. As sessões atraem em média 20 pessoas entre cinéfilos de carteirinha e fãs casuais, mas esse número varia. Em pré-estréias como a de O Cheiro do Ralo, Proibido Proibir e Baixio das Bestas, o cineclube chega a contar com 250 espectadores.

Nessas pré-estréias está o grande charme do Cinerama. Elas são possíveis somente através do sistema de parceria com a divulgadora de filmes nacionais Brazucah, que promove também debates com a equipe. Tirando esses casos especiais, os filmes são escolhidos geralmente por ciclos – como o último, Cinema e Literatura – sempre procurando colocar o espectador numa postura ativa diante do filme e mostrando que cinema não é só diversão.

Quer cinema para pensar? Então fique de olho na programação do mês:
13/06 - cinerama ESPECIAL: Domingos Oliveira. parceria com o Grupo Estação para a exibição de Edu, Coração de Ouro e debate.

20/06 - Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade.

27/06 - Tristam Shandy: A Cock and Bull Story, de Michael Winterbottom

Por Patrícia Azeredo e Mônica Reis

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Exposição põe "Eleições em Foco" no corredor da ECO

Agora há mais um motivo para dar aquela paradinha no corredor de entrada da Escola de Comunicação da UFRJ. Desde o início do período está em cartaz a exposição Eleições em Foco, com trabalhos feitos por alunos da disciplina Fotojornalismo II. O desafio não era nada simples: captar belas imagens das campanhas eleitorais no Rio em 1994.

A realização desse trabalho contou com o apoio do Setor de Extensão da ECO. Além de fornecer aos alunos a tão desejada prática fotojornalística, o ensaio também teve por objetivo possibilitar aos alunos o acesso a uma cobertura diferente daquela realizada pela grande imprensa.

E para chegar ao resultado final desse projeto, os cinco grupos de alunos participantes encararam um processo de produção digno de coberturas jornalísticas. Após pedir credenciamento aos assessores dos candidatos, os aspirantes a fotógrafos saíram a campo com câmeras de diversos tipos, filmes fornecidos pela ECO e muita disposição para registrar carretas, comícios, corpo-a-corpo e personalidades. A dedicação e o entusiasmo dos alunos foi tão grande que levou ao rápido fim dos primeiros 20 filmes. Entrou em vigor o “jeitinho brasileiro” e foi feita uma vaquinha para comprar novos filmes e encarar a cobertura do segundo turno. O esforço gerou cerca de 2.500 fotos, selecionadas e editadas com a ajuda do professor Dante Gastaldoni.


O resultado pode ser visto nas fotos em preto-e-branco emolduradas nas paredes do corredor. Na “festa da democracia”, expressão usada pela grande imprensa em época de eleições, encontram-se imagens como um cabo eleitoral de cartola, protestos bem-humorados e um Luiz Inácio Lula da Silva ainda nos tempos de “sapo barbudo”.


E se você gosta de fotojornalismo, outra boa pedida é o FotoRio – Encontro Nacional de Fotografia 2007. Lá você vai encontrar uma série de eventos relacionados à “escrita da luz” durante os meses de junho e julho: cursos, exposições, palestras, oficinas. Um dos destaques é a mostra “Instantâneos da Felicidade”, no Centro Cultural Banco do Brasil, com trabalhos de mestres como Henri Cartier-Bresson abordando o momento decisivo e a representação imaginária da felicidade. Quer saber mais? Clique: http://www.fotorio.fot.br/2007/
Por Patrícia Azeredo e Mônica Reis